Compatibilidade química é a capacidade da embalagem completa (corpo, tampa e vedação) de manter estanqueidade e resistência durante todo o contato com o produto. No PEAD, os quatro mecanismos mais relevantes de incompatibilidade são permeação, inchamento, fissuração sob tensão e oxidação.
Os quatro mecanismos
| Mecanismo | O que acontece | Sinal na embalagem |
|---|---|---|
| Permeação | O produto atravessa a parede e escapa pelo lado externo | Perda de massa, odor externo, parede colapsada |
| Inchamento | O polímero absorve o produto, ganha massa e perde rigidez | Variação de dimensão, perda de vedação |
| Fissuração sob tensão | Tensoativos e certos orgânicos aceleram trincas nas regiões sob tensão | Trincas em alça, rosca e fundo |
| Oxidação | Oxidantes fortes degradam as cadeias do polímero | Descoloração e fragilização |
Como se prova
A regra de transporte de produtos perigosos aceita dois caminhos. O primeiro é encher a bombona com o produto real, guardar por seis meses e repetir os ensaios de queda, estanqueidade, pressão e empilhamento. O segundo, válido para polietileno, é usar um líquido-padrão que representa o mesmo mecanismo de ataque, com estocagem de três semanas a 40 °C.
No mercado de defensivos agrícolas, é comum o ensaio de estocagem acelerada CIPAC MT 46.4, tipicamente 14 dias a 54 °C, com o produto na embalagem comercial. Ele avalia principalmente a estabilidade da formulação. Feito na embalagem final, também evidencia interações entre produto e embalagem, e é aceito por órgãos de registro.
Qual caminho e qual líquido-padrão se aplicam depende da formulação. É uma avaliação do time técnico, caso a caso.
Sua empresa vai envasar um produto novo? Envie a FDS e a formulação. A equipe técnica da Velaplast indica a estrutura para o ensaio.
Falar com a equipe técnicaNem toda deformação é incompatibilidade
Calor, altitude, envase a quente e gás gerado pelo produto deformam qualquer embalagem, sem ataque químico ao PEAD. Esses casos se resolvem no envase, com espaço livre adequado. Perda de massa aponta para permeação. Trinca aponta para fissuração sob tensão.
Barreira: coex ou fluoretação
Coex. Até 5 camadas, com barreira de EVOH ou poliamida dentro da parede. Ver bombonas coex.
Fluoretação. Tratamento da superfície com flúor depois do sopro, na planta da Velaplast em Lorena (SP), também para embalagens de outros fabricantes. Ver fluoretação.
As duas reduzem permeação e inchamento. Fissuração sob tensão e oxidação dependem da resina e do projeto. Em todos os casos, a escolha se confirma no ensaio com o produto real. Comparação em bombona coex ou fluoretada.
Qual estrutura o seu produto precisa?
Envie o produto, a formulação e o volume da embalagem. A equipe técnica indica a estrutura para o ensaio de compatibilidade.
Perguntas frequentes
Por que o PEAD retém água e deixa passar xileno?
O PEAD é apolar: dissolve pouco a água e muito os hidrocarbonetos aromáticos, que atravessam a parede.
A marcação ONU garante a compatibilidade com o meu produto?
Não sozinha. Ela identifica o modelo aprovado e as condições do ensaio. A compatibilidade com o produto específico e com o fechamento precisa ser verificada.
Quanto tempo leva o ensaio de compatibilidade?
Depende do ensaio. Pela regra de transporte, seis meses com o produto real ou, para polietileno, três semanas a 40 °C com o líquido-padrão equivalente. No registro de defensivos agrícolas, é comum a estocagem acelerada CIPAC MT 46.4, tipicamente 14 dias a 54 °C, com o produto na embalagem comercial.
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Leia também: marcação ONU em bombonas plásticas. Referências: Resolução ANTT 5.998/2022; RID/ADR capítulo 6.1; CIPAC MT 46.4.